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domingo, 21 de abril de 2013

Morder - Sangria

Tô pouco demais amor
Só um dia, uma hora, um segundo...
Só isso e o chão é areia da praia
Sem fim, sem tu agora
Mas ainda que eu fale, meu bem...
História não define quem tu és
Quem nós somos,
Quantos fomos do frio ao orgasmo?
Digo que estou pequeno, mínimo, sonolento, sem memória
Sem discórdia!
Pois tua mão provou dos extremos
sensato/insano
E agora...?
Sem tu
É triste não discordar
Mas o amor engodou-se com pueris dilemas
Os que nunca pensávamos pensar
Reavivamos o amor sentido,
a alma corroída pelo excesso de viver
Pois tô pouco demais amor
também para envelhecer...

segunda-feira, 15 de abril de 2013


Eu não quero ser lembrado pela minha família
Não quero ser lembrado pelos meus pais ou meus filhos
Não desejo, sinceramente, lembranças minhas neste mundo
Quero deixar traços de mudança na mente e na alma
Quero participar de mutações gênicas naquele sol que governa esse universo
Quero viver nos multiversos e tocar músicas que lembre Deus
Quero pensar palavras que se tornarão eternas na mente de cada ser
Ambiciono o que dizem não existir
Pois ainda me recordo de visões
Tenho vontade de voltar àquilo que era antes
E ver paz no coração de cada um
Busco as origens da natureza primordial
Onde não existe caos
Onde começou tudo

E por isso, poderia dizer adeus hoje.
Mas não me ensinaram a tornar a realidade externa
Só venho aqui, através de tão curtas linhas
Expressar esse desacordo
Que traz sentido e quietude a meu espírito
E tremores e convulsões aos meus músculos
E descobrir onde foi
E mesmo com mãos tão imprecisas
Costurar esse caminho que tomamos
E retornar ao princípio

“A cada ocorrência menos agradável procuremos responder com os nossos mais altos recursos 
de entendimento, justificando o amigo que se transforma, desfazendo sem mágoa o 
emaranhado das trevas, removendo equívocos em pauta e  apoiando  o colega que se afasta, 
oferecendo-lhe a íntima certeza  com referência à continuidade de nossa estima. Tudo o que 
existe é peça da vida e se aqui ou além, a deficiência aparece, isso significa que a obra do bem, 
nessa ou naquela peça da vida está pedindo a nossa colaboração a fim de que lhe doemos o 
pedaço do bem,  que porventura ainda lhe falte”.

Chico Xavier.  Do livro  Mãos  dadas.
Editora IDE. Cap. 3 Pág 20.

domingo, 14 de abril de 2013


Busco consolo nas beiras de coberturas
Procuro a ternura de brisas ascendentes no vão do metrô
No parapeito do meu apartamento
Nas margens do espigão
Nos telhados alheios

Justifico minha reclusão desse mundo
Na existência de projeções aquém da maresia do teu sopro
Defloro minha realidade nos caminhos que evito
Proíbo que a monotonia envolva minha fantasia
Permito que a incerteza esteja no controle por instantes eternos

E vê-se lá àquele meu eu afundando novamente
Nas coisas complicadas e importantes
Buscando pela sua parte que falta
A falta que me cabe
A parte que me falta
Que caberia em você

Ajo como uma prisma defeituosa
Ruborizo o azul, o verde, o amarelo
Transformo violão em batuque
O samba em blues
Paixão em amor

E este pedaço de corpo já não me pertence
Já engoli algumas estrelas
Comi algumas luzes
Agora o concreto insiste em me largar
Em uma espécie de processo ante-erótico 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Desiludido do Mundo e as Capas do Fundo

Vos atrivo !
Os sentinelas do amor !
Eles estão perdidos.
Será que existe ?
Ouvi dizer que era hormônio
O ser desiludido àquele quem ?
Mas agora ?  Estaria errado ?
Só entende o que digo.
Aqueles que plantaram o trigo e colheram esse joio de merda.
E estes somos considerados loucos...

Prefiro cair e me afogar ao teu senho enxergar novamente.
Prefiro cair e me afogar ao teu senho enxergar novamente.

Ewerton Ricardo


Escutar Música

sexta-feira, 29 de março de 2013

Ensaios Sobre a Realidade



                                                                       texto I
                                  
                                                                   "O que é a mentira senão 
                                                         contos de uma outra realidade?
                                                        O que são os sonhos senão 
                                                        o dia-a-dia de nossas outras vidas?
                                                       O que são as palavras senão
                                                       as nossas ações em outras dimensões?
                                                      O que é afinal a realidade senão
                                                      uma caixa cheia de suas variações 
                                                      em que uma delas escolhemos viver? 

                                             Então vejamos, tudo o que vemos e imaginamos é realidade,
                                             independente de onde quer que se encontre o observador,
                                             posto que o observado é também o observador, 
                                            numa troca mútua de projeções."




sábado, 9 de fevereiro de 2013

Há um determinado momento que você se aconchega em seus próprios braços, e conclui que o calor do teu peito e a extensão dos teus membros vão muito além do esperado.
Esperado por você, por quem te valoriza, e principalmente por quem você ama.
Você tem ideias mirabolantes sobre o futuro
Você cria ideais espalhafatosos sobre o nosso presente
Mas nunca devemos ser vítimas do nosso comodismo
Onde minhas pernas me levam ?
 Eu realmente não sei, mas não vou deixar que minha visão sossegue
Até que a última lágrima caia em minha cochas
Que ensope minha camisa
Ou que o último ensopado agrade meu paladar a ponto de lembrar orgasmos

O que venho dizer-te aqui é que somos mais
Eu, você, e todos a quem ama, somos únicos, somos um pedaço, e somos tudo, no mesmo momento, no mesmo espaço.
Deixar-nos regi por regras tão banais, e quanto ao amor que corre nas minhas veias ?
E onde se vai o ágape dessa interconexão tão complexa que demoramos tanto para encontrar ?
 Eu não estou aqui para lembrar-te quem tu és.
Mas para lembrar o que tu és.

O que tu és hoje ?
Um pedaço de pão ?
Um copo de vinho ?
Ou mais uma taça ?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

As luzes acedem
As luzes apagam
Quando as coisas não estiverem certas
 Eu deitarei como um cão.
Esgotado.
Lambendo minhas feridas sobre uma sombra qualquer
E
Quando eu me sentir vivo
Tentarei imaginar uma vida sem cuidados
Um mundo cênico
Onde todos tem um por do sol deslumbrante

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Recebi uma carta em um sonho


Um rapaz adequado, cativante, mantinha-se próximo a minha sombra, eu o via, ele dançando nas ruas, nos pátios, nas salas, no amor. Sorria sem importar o depois, o agora, ou o antes. Conquistava amizades, uma amante, um mundo feito pra ele. E eu o acompanhava, passo a passo.

Um, dois, três pisadas adentro de um bar agradável com luzes amarelas e decorações vermelhas, e cada detalhe daquele cômodo foi moldado como o que ele sentia, um piso indiferente, uma mesa de sinuca indiferente, arestas agudas, e sussurros dolorosos de uma boca meiga e um espírito sagaz.

E nasce aquela confusão, que você não nomeia. Talvez perceba que aquele latejar lacerante não é causa, é resultado de não prever, que agarrar a insegurança para si, e cuidar dela como faz o teu estômago sem pedir permissão, seja o correto.

Tua sombra some, teu medo te engole, e você não deixa de ser quem é. Você continua sendo você, sempre. Mas com um ar de contentamento, de controle. Incendiar-se sem sentir, em prol de valores em que acredita é valorizado por tantos, e no fundo é em que acredita. E faz sentido que continue assim.

Afoga-te em sal, cega-te em luz, e sorri na queda, pois tua alma te abraça.