Páginas

domingo, 14 de abril de 2013

Busco consolo nas beiras de coberturas
Procuro a ternura de brisas ascendentes no vão do metrô
No parapeito do meu apartamento
Nas margens do espigão
Nos telhados alheios

Justifico minha reclusão desse mundo
Na existência de projeções aquém da maresia do teu sopro
Defloro minha realidade nos caminhos que evito
Proíbo que a monotonia envolva minha fantasia
Permito que a incerteza esteja no controle por instantes eternos

E vê-se lá àquele meu eu afundando novamente
Nas coisas complicadas e importantes
Buscando pela sua parte que falta
A falta que me cabe
A parte que me falta
Que caberia em você

Ajo como uma prisma defeituosa
Ruborizo o azul, o verde, o amarelo
Transformo violão em batuque
O samba em blues
Paixão em amor

E este pedaço de corpo já não me pertence
Já engoli algumas estrelas
Comi algumas luzes
Agora o concreto insiste em me largar
Em uma espécie de processo ante-erótico 

Nenhum comentário:

Postar um comentário