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sexta-feira, 29 de março de 2013

Ensaios Sobre a Realidade



                                                                       texto I
                                  
                                                                   "O que é a mentira senão 
                                                         contos de uma outra realidade?
                                                        O que são os sonhos senão 
                                                        o dia-a-dia de nossas outras vidas?
                                                       O que são as palavras senão
                                                       as nossas ações em outras dimensões?
                                                      O que é afinal a realidade senão
                                                      uma caixa cheia de suas variações 
                                                      em que uma delas escolhemos viver? 

                                             Então vejamos, tudo o que vemos e imaginamos é realidade,
                                             independente de onde quer que se encontre o observador,
                                             posto que o observado é também o observador, 
                                            numa troca mútua de projeções."




sábado, 9 de fevereiro de 2013

Há um determinado momento que você se aconchega em seus próprios braços, e conclui que o calor do teu peito e a extensão dos teus membros vão muito além do esperado.
Esperado por você, por quem te valoriza, e principalmente por quem você ama.
Você tem ideias mirabolantes sobre o futuro
Você cria ideais espalhafatosos sobre o nosso presente
Mas nunca devemos ser vítimas do nosso comodismo
Onde minhas pernas me levam ?
 Eu realmente não sei, mas não vou deixar que minha visão sossegue
Até que a última lágrima caia em minha cochas
Que ensope minha camisa
Ou que o último ensopado agrade meu paladar a ponto de lembrar orgasmos

O que venho dizer-te aqui é que somos mais
Eu, você, e todos a quem ama, somos únicos, somos um pedaço, e somos tudo, no mesmo momento, no mesmo espaço.
Deixar-nos regi por regras tão banais, e quanto ao amor que corre nas minhas veias ?
E onde se vai o ágape dessa interconexão tão complexa que demoramos tanto para encontrar ?
 Eu não estou aqui para lembrar-te quem tu és.
Mas para lembrar o que tu és.

O que tu és hoje ?
Um pedaço de pão ?
Um copo de vinho ?
Ou mais uma taça ?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

As luzes acedem
As luzes apagam
Quando as coisas não estiverem certas
 Eu deitarei como um cão.
Esgotado.
Lambendo minhas feridas sobre uma sombra qualquer
E
Quando eu me sentir vivo
Tentarei imaginar uma vida sem cuidados
Um mundo cênico
Onde todos tem um por do sol deslumbrante

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Recebi uma carta em um sonho


Um rapaz adequado, cativante, mantinha-se próximo a minha sombra, eu o via, ele dançando nas ruas, nos pátios, nas salas, no amor. Sorria sem importar o depois, o agora, ou o antes. Conquistava amizades, uma amante, um mundo feito pra ele. E eu o acompanhava, passo a passo.

Um, dois, três pisadas adentro de um bar agradável com luzes amarelas e decorações vermelhas, e cada detalhe daquele cômodo foi moldado como o que ele sentia, um piso indiferente, uma mesa de sinuca indiferente, arestas agudas, e sussurros dolorosos de uma boca meiga e um espírito sagaz.

E nasce aquela confusão, que você não nomeia. Talvez perceba que aquele latejar lacerante não é causa, é resultado de não prever, que agarrar a insegurança para si, e cuidar dela como faz o teu estômago sem pedir permissão, seja o correto.

Tua sombra some, teu medo te engole, e você não deixa de ser quem é. Você continua sendo você, sempre. Mas com um ar de contentamento, de controle. Incendiar-se sem sentir, em prol de valores em que acredita é valorizado por tantos, e no fundo é em que acredita. E faz sentido que continue assim.

Afoga-te em sal, cega-te em luz, e sorri na queda, pois tua alma te abraça.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O alfaiate

Um ar de humano desinteressante
Olhar despreocupado, tolo ou ignorante
Mas cheio, cheio de algo
Como o seu bigode, vistoso
Que a mão caminha para acariciá-lo descendo até o queixo
Procurando uma barba antes existente, provavelmente tão viva quanto o seu mustache
Tem duas filhas, pequenas
Um pai, chefe, 90 anos, graças a deus
E uma humildade confirmada por orgulho de ser bom samaritano, nesse mundo de horror
Toma seus gorós a noite, sempre a noite, todas as noites
Financiado por sua merrequinha, que paga sua dose, que não sustenta a família, mas que é o seu jeito
De não condenar o mundo, de ser condenado
E crê na felicidade simples, pois teme já se ir, e acredita, entende mesmo nesse saco que somos.
Frágeis, poeira.
Mas agradece a vida, ela que foi tão sacana.
Perdeu mais três amigos semana passada.
Acidente de carro, cirrose, pedra.
Já pensou sim em largar o vício, mas seu argumento é aquele já dito.
E onde vou buscar prazer ?
Para quem já foi surrado, tudo é real e cru.
E toma seus gorós a noite, para vê-la em vultos
Mas não demora muito.
Haroldo Lima, fuma esses cigarros mentolados e vai pra casa.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Você foi o relógio ás três da madrugada
Foi o cachorro sossegado da praça
Foi o capim que nasceu na minha calçada
O café queimado e barato da minha manhã
O suor das axilas dos passageiros
Foi o professor filho da puta

E foi melodia em três tons
Água barrenta do verão
A maresia dentro do mar
Foi meu comprimido
Meu cigarro dopado
Meu cheiro
Meu pênis molhado
Meu vaso sanitário
sobretudo,
Meu vaso sanitário

Mas mesmo assim, nunca deixará de ser eu.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tolerância.

É a palavra de hoje.
É meu receio de me encantar.
Meu medo de sofrer.
Meu êxito em perder o controle.
Quando, mesmo que parcialmente.

E tem dias que i give a shit para tudo isso.
Que eu misturo fumaça, alcool, e entorno lembranças
nomeando você de foxy lady, rezando para tuas
sombras morderem como você mordia.

E eu tenho a certeza que o descontentamento em não encontrar-te
é bem menor do que meu orgulho, meu selflove mermo esmagaria-me
sem piedade.

Então está tudo bem.
Estamos todos bem.