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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O alfaiate

Um ar de humano desinteressante
Olhar despreocupado, tolo ou ignorante
Mas cheio, cheio de algo
Como o seu bigode, vistoso
Que a mão caminha para acariciá-lo descendo até o queixo
Procurando uma barba antes existente, provavelmente tão viva quanto o seu mustache
Tem duas filhas, pequenas
Um pai, chefe, 90 anos, graças a deus
E uma humildade confirmada por orgulho de ser bom samaritano, nesse mundo de horror
Toma seus gorós a noite, sempre a noite, todas as noites
Financiado por sua merrequinha, que paga sua dose, que não sustenta a família, mas que é o seu jeito
De não condenar o mundo, de ser condenado
E crê na felicidade simples, pois teme já se ir, e acredita, entende mesmo nesse saco que somos.
Frágeis, poeira.
Mas agradece a vida, ela que foi tão sacana.
Perdeu mais três amigos semana passada.
Acidente de carro, cirrose, pedra.
Já pensou sim em largar o vício, mas seu argumento é aquele já dito.
E onde vou buscar prazer ?
Para quem já foi surrado, tudo é real e cru.
E toma seus gorós a noite, para vê-la em vultos
Mas não demora muito.
Haroldo Lima, fuma esses cigarros mentolados e vai pra casa.

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