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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Amarra tua fumaça no meu peito

Luz bate no rosto e cora a face
arde o couro, do jeito que teus olhos me julga.
E como pode você não perceber, mesmo tão de perto, que
teus membros não diferem dos meus.

Sangue flui nesses rios que se entrelaçam e jorram
sabor amargo e quente, que torna a colorir
o meu céu e esvair no chão
junto aos meus dentes
estrelas nesse mar de pedras

Mas o sopro do teu bafo me vicia, e tu sabe
que há resistência desse corpo.
A alma pura e suja de sabão não esconde
meu peito branco por dentro.
Que espuma como onda que bate.

E volta a tingir minha roupa de cinza e encarnar
sementes tuas na minha garganta.
O cheiro nem incomoda, tem até seu charme
no nosso ritual impróprio.

E vocês nem sabem que o Deus que tanto
vocês incomodam se esconde dentro de mim.

Sinas e pecados fadados a buscar incessantimente
liberdade, mas que são presos por cabrestos no bagos.
Mas o mundo pode fazer seus rodopios,
que o caminho já tá traçado.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011




Recomeçando três dias depois.


Escrever numa biblioteca normalmente me faz perder as estribeiras, independente que caminho tome no final eu mesmo me assusto e rebolo o troço em algum canto. Mas eu duvido muito que aconteça isto hoje, percebo que não posso generalizar as bilbiotecas, só a pública faz isso mesmo, e todo o ambiente e acontecimentos já ocorridos nas redondezas me faz dar uma pirada bem rasante (ou não)

Me lembro da cara do Ewerton quando me achou na praça verde duas semanas depois que tínhamos terminado. Eu lá, fumando, com três livros na mão, um litro de vinho na outra, e o violão, só me fazendo companhia. Perguntei pra ele porque diabos ele não me contou que melancolia era tão interessante.

Nos encontramos quando estamos sós, e é impossível você não se contentar com o que você acha, por isso nem jogue seu ego lá na puta que pariu (pra cima) quando isso acontecer (pois você ta longe de ser o único).

Pé. Faz três dias que sonho com pés. Pés da cor de leite. Doces, macios, e mordo, e mordo. E tinha cheiro de hidratante, mas qual? Sei lá, me some... Erva doce? Camomila ?

É por isso, que mantenho o tema. No sonho, no sonho que nos conhecemos, que deixamos de ser covardes, é onde encontro o que realmente escondo, escondo por proteção própria, mas tudo que me faz agora é trazer prazer, e saudades. É gostoso, só não mais porque não sentimos dor.

Guará tem que ser legendária, e vou me esforçar pra que seja.




Sem subjetividades ou metáforas.

No fundo eu sou um covarde, me escondo da realidade fantasiando possibilidades tão improváveis de acontecer, e ainda por cima me alegro com o que faço, com justificativas tão incabíveis quanto um poço sem fundo. 

Aliás, não me engano em dizer que no sonho sou muito mais racional, digo, mais livre.

É normal criarmos barreiras ao longo de nossas vidas ? Buscar incessantimente mais correntes até não haver mais corpo a se amarrar ?

Não importa se nasci ou não, mas se senti.

Mas tudo parece desculpa, agora. Talvez só agora. Mas quem, pergunto quem diabos entende um pouco do mundo e não tenta fugir as vezes para dentro de si ?
É bom as vezes se perder sem ter razão.



quinta-feira, 21 de julho de 2011

Clichês para vocês


Um dia escutei algo, que considerei uma bobagem sem tamanho: “Enquanto nos tornamos adultos, vamos nos tornando igualmente idiotas”. Mas em muitos aspectos isso é realmente verdade. Crescendo, entramos em diversos conflitos, que diferem em diversos pontos de vista,  escolhemos alguns, e, mesmo que evitemos a imparcialidade, a idéia já nos toma para si.

A visão não entra mais de fora pra dentro.

“O universo se torna pequeno se comparado a grandeza da imaginação”

E mesmo assim podemos dizer que o tudo é fruto de nós mesmos, mas nós somos frutos de poucas, ou muitas coisas que nos acontecem. Vamos privilegiar o nosso ego pensando que realmente que tudo nasce de dentro ?

“The Earth Is Not a Could Place”

Sabedoria. A felicidade não é dos tolos, mas dos que entendem a si próprio, pois somos isso, e aquilo. Se sou frio, meu mundo é frio. Se permito ater meus sentidos, limito-me. E no caminho do auto-conhecimento há escolhas que podem nos fazer sacrificar muito de nós mesmos.

A felicidade. Há quem diga ser utópica. Ela não depende de nada, nem de ninguém. É um estado que adquirimos, que digo que poderia ser até por métodos discriminados, apesar de não acreditar muito nisto.

Podemos sim ser felizes mesmo passando por situações que deveriam nos abalar. Mas como uma tempestade num oceano, abala-se apenas a superfície, enquanto a profundeza permanece serena, calma, intacta.

Comodismo é o princípio da mediocridade.
Não importa qual caminho tome, desde que sinta satisfeito consigo mesmo.

Todos precisamos de asas, que nos ascenda para o que está além de nosso alcance.
Você já  encontrou a sua ?




sexta-feira, 15 de julho de 2011

sábado, 18 de junho de 2011

domingo, 12 de junho de 2011




Sonho em entrar nesse navio. Já pensou fazer uma show nele ?

quarta-feira, 18 de maio de 2011



No vácuo de mim eu me despenco. Porque seria preciso também abdicar de mim mesmo para novamente reconstruir-me. Tornar a escolher os gestos, as palavras, em cada momento decidir qual dos meus eus assumir. Já esfacelei meu ser, já escolhi as porções que me são conveninentes esquecendo deliberado as outras. E são elas - serão elas? - que agora se movimentam revoltadas, pedindo passagem em gritos mudos, na ânsia de transcender limites, violentar fronteiras, arrebentando para a manhã de sol. O tremular da chama é um aceno, convite para chegar à verdade última e íntima de cada coisa.
Não quero. Não posso restar nu, despojado de mim mesmo. Não posso recomeçar porque tudo soaria falso e inútil. As minhas verdades me bastam, mesmo sendo mentiras. Não é mais tempo de reconstruir.
Em luta, meus ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Porque pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja a existência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver.
Sôfrego, torno a anexar a mim esse monólogo rebelde, essa aceitação ingênua de quem não sabe que vivier é, constantemente, construir, não derrubar. De que não sabe que esse prolongado construir implica em erros, e saber vivier implica em não valorizar esses erros, ou suavizá-los, distorcê-los ou mesmo eliminá-los para que o restante da construção não seja abalado. Basta uma pausa, um pensamento mais prolongado para que tudo caia por terra. Recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa única existência. Por isso me esquivo, deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam. E queimar também destrói..."

Caio Fernando Abreu
 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

"O desejo é um tempo parado
É quando se trocam as datas dos bichos e das flores
É quando aumenta a rachadura da velha parede
É quando se vira a folha, a folha da história
É quando se pinta um fio branco na cabeleira preta
É quando se endurece o rastro de sorriso
No canto dos olhos
Eu sei que a viagem é longa
A voz vai e vem
Você ta aí?
Você ta aí?
Ei, voce est aí?
Vontade de abraçar o infinito" Otto.