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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Amarra tua fumaça no meu peito

Luz bate no rosto e cora a face
arde o couro, do jeito que teus olhos me julga.
E como pode você não perceber, mesmo tão de perto, que
teus membros não diferem dos meus.

Sangue flui nesses rios que se entrelaçam e jorram
sabor amargo e quente, que torna a colorir
o meu céu e esvair no chão
junto aos meus dentes
estrelas nesse mar de pedras

Mas o sopro do teu bafo me vicia, e tu sabe
que há resistência desse corpo.
A alma pura e suja de sabão não esconde
meu peito branco por dentro.
Que espuma como onda que bate.

E volta a tingir minha roupa de cinza e encarnar
sementes tuas na minha garganta.
O cheiro nem incomoda, tem até seu charme
no nosso ritual impróprio.

E vocês nem sabem que o Deus que tanto
vocês incomodam se esconde dentro de mim.

Sinas e pecados fadados a buscar incessantimente
liberdade, mas que são presos por cabrestos no bagos.
Mas o mundo pode fazer seus rodopios,
que o caminho já tá traçado.


2 comentários:

  1. Obrigada por voltar.

    E esse texto, essas metáforas... Foi um excelente retorno. Muito significativo, Luiz.

    Parabéns.

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  2. Luiz, um dia eu escrevi um poema sobre você. Eu não sei tu leu, ou se percebeu ao que se referia. Sempre pensei em pedir pra você ler, mas tinha medo de "te perder" de vez.

    De qualquer forma, não seja extremista ao lê-lo, okay? Eu realmente lhe considero um amigo, eventualmente sinto sua falta e é aí que releio o poema e penso em vir aqui, trazê-lo.

    Hoje resolvi fazer isso, e sei que vou me arrepender. Espero que não se aborreças. :x E perdão por ser metida assim.

    http://clichesparavoces.blogspot.com/2011/06/e-vai-que-exista-perdao-de-fato.html

    Eu gosto de ti. Se cuida.

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